Formando Obreiros

Instituto Bíblico das Assembléias de Deus
Ensino e Pesquisa
Abra hoje o seu núcleo
+55 (44) 3642-6642 ibadep@ibadep.com
Abra hoje o seu núcleo
Presente em mais de 32 países.
ENQUETE

O que você achou do novo site do IBADEP?




POR QUE ASSOCIAMOS O “INFERNO” AOS DEMÔNIOS?

07/03/2017 09:00

POR QUE ASSOCIAMOS O “INFERNO” AOS DEMÔNIOS?
 
 
 
“Alguns dizem que há demônios no inferno atormentando 
os não-salvos, que o trono de satanás também está lá...
Contudo, sejamos francos, de onde são extraídas 
essas idéias?”




A disciplina teológica Hermenêutica faz uma distinção entre “exegese” e “eisegese”. “Exegese” é extrair a doutrina do texto bíblico; “eisegese” é ter alguma doutrina e inseri-la no texto bíblico. A primeira produz uma boa interpretação; a segunda, não.
Mateus 16.18: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”
É muito comum ouvirmos em nossos cultos expressões associando o inferno aos demônios: “o inferno não pode nos vencer!”, “se o inferno se levantar contra você, vai cair”, “Deus nos dá autoridade sobre o inferno”. Estas frases têm por objetivo associar “inferno” ao diabo e seus anjos.
Alguns dizem que há demônios no inferno atormentando os não-salvos, que o trono de satanás também está lá, que Jesus Cristo foi até lá tirar a chave das mãos dele e que hoje ele não tem a chave da própria casa. Contudo, sejamos francos, de onde são extraídas essas idéias?
A origem do termo “inferno” é latina: “infernum”, que significa "as profundezas" ou o "mundo inferior". É um termo usado por diferentes religiões, mitologias e filosofias, representando a morada dos mortos, ou lugar de grande sofrimento e de condenação.  Algumas traduções, como a de João Ferreira de Almeida, utiliza “inferno” para traduzir termos distintos como sheol/hades, geena e tártaro.
No Bíblia Hebraica (Antigo Testamento), o uso do termo sheol indica o mundo inferior (dos mortos), sepultura, cova, lugar do qual não há retorno (Sl 86.13; Sl 89.48; 141.7; Pv 27.20).
Na Bíblia Grega (Novo Testamento), o termo grego hades é utilizado para traduzir a palavra sheol. O Senhor Jesus descreve com detalhes a situação nesse lugar (Lc 16.19-31). Segundo esta história (que não é uma parábola) os não-salvos estavam ali aprisionados, separados dos salvos que permaneciam juntos com Abraão, aguardando a promessa messiânica de salvação. Após a crucificação, não se menciona mais o hades como local de destino das almas dos salvos. O termo grego utilizado passa a ser paradeisos – paraíso (Lc 23.43; 2Co 12.4; Ap 2.7). Deduzo que houve uma mudança de lugar para a alma dos salvos na Nova Aliança.
O termo grego geena origina-se do termo hebraico “Ge-Hinnom” que significa literalmente "Vale de Hinom", e que veio a tornar-se um depósito fora de Jerusalém onde o lixo era incinerado. Foi utilizado no reinado de Acaz, rei de Judá, para a prática de rituais de sacrifício humano a Moloque (2Cr 28:1-3). É citado nos seguintes textos: Mt 5:22,29,30; 10:28; 18:9; 23:15, 33; Lc 12:5; Tg 3:6.
Concluo com essas evidências bíblicas que o hades (o 1º inferno) na Nova Aliança passa a ser exclusivamente a prisão para os mortos sem salvação, onde aguardarão o juízo e a condenação eterna. É uma situação provisória. Por sua vez, o geena (o 2º inferno) está vazio aguardando o Juízo Final mencionado em Ap 20.11-15, que será uma situação eterna.
Na revelação bíblica o mais perto do “inferno” que encontramos os demônios é no Tártaro que, segundo a mitologia grega, é um lugar mais profundo do que o hades (alguns estudiosos identificam-no com o abismo mencionado em Lc 16.26). A segunda carta do apóstolo Pedro faz referência a esta tradição chamando Tártaro ao lugar de castigo dos anjos caídos (2Pe 2:4).
Com base nas evidências bíblicas chego às seguintes conclusões:
1º) O Senhor Jesus detém a chave (a autoridade) do hades – e consequentemente do geena (Ap 1.18; 2Tm 4.1; 1Pe 4.5);
2º) Quem entregou esta chave (autoridade) do geena a Jesus foi Deus Pai e não o diabo (Lc 12.5);
3º) O local de permanência e ação de satanás e seus demônios é o mundo invisível na atmosfera terrestre (Jó 1.7; 2.2; Ef 6.12);
4º) quando o Senhor Jesus mencionou em Mateus 16.18 sobre “as portas do inferno” (pylai hadou) está referindo-se ao poder do hades sobre a alma humana e a vitória da igreja sobre este lugar; esta vitória também foi profetizada em Oséias 13:14,  texto que foi citado pelo apóstolo Paulo em 1Co 15.55 “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?”.
A expressão “portas da morte” é comum no AT: Jó 17.16; 38.17; Sl 9.13; 107.18; Fp 2.30.  A Nova Tradução da Linguagem de Hoje (da Sociedade Bíblica do Brasil, 2000) traduz em Mateus 16.18 o termo pylai hadou por “morte” sobre quem a igreja triunfa pelos méritos de Cristo.

Pr Mauricio Capellari 
é líder do departamento de ensino da AD Colombo-PR
e coordenador do núcleo do IBADEP no ministério
 
Matéria retirada da revista IBADEPIANA 2ª Edição

IBADEP - Instituto Bíblico das Assembléias de Deus do Estado do Paraná - Ensino e Pesquisa

Rua IBADEP, S/Nº - Caixa Postal 248 - Via Eletrosul - Guaíra - Paraná

Fone/Fax: 44. 3642-6642 - E-mail: ibadep@ibadep.com - CEP: 85980-000

Winsite Agência Web